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Os Grupos de Apoio a Adesão Comunitária (GAAC) surgiram em Moçambique da necessidade de melhorar as barreiras relativas ao acesso e retenção dos doentes em TARV, a escassez de recursos humanos bem como a fraca resposta á demanda dos serviços.


Na óptica do paciente, as barreiras são as longas distâncias que têm de percorrer para chegar às Unidades Sanitárias, os custo dos transportes, o longo tempo de espera e a necessidade de realizar outras actividades para o sustento da família.

O objectivo principal desta iniciativa é acompanhar os doentes em tratamento anti-retroviral com vista á retenção dos mesmos nos cuidados e tratamento nas unidades sanitárias, causando assim uma diminuição dos abandonos ao tratamento.

Por outro lado, como forma também de diminuir a sobrecarga de trabalho das Unidades Sanitárias, esta iniciativa contribui também para melhorar a qualidade do seguimento dos doentes HIV positivos, promover a participação activa dos doentes no levantamento e distribuição dos medicamentos entre si e no controlo da adesão ao TARV. Os GAAC também asseguram o apoio psicossocial entre pacientes em TARV e Pré-TARV entre si e melhoraram a ligação entre a U.S e a comunidade, estabelecendo desta forma, um sistema de alerta precoce para o rastreio de várias doenças e situações de abandono ao TARV.

Ana Paula tem 44 anos, tem três filhos e vive na cidade de Vilanculos. Ela decidiu fazer o teste de HIV e o resultado foi positivo. Não foi fácil enfrentar este resultado, mas ela imediatamente começou com o tratamento. De acordo com Ana, o apoio dos activistas da Associação AIPDC foi crucial, ajudando-a a acreditar que era possível viver sendo HIV positiva, desde que se mantivesse em tratamento.

O apoio de sua família (mãe e filhos) foi crucial para enfrentar este desafio, mas, infelizmente, o seu marido abandonou-a: era difícil para ele aceitar o facto de precisar de fazer o teste e iniciar com o tratamento. Em vez de enfrentar a realidade e seguir os conselhos de Ana Paula, ele preferiu abandonar a sua família.
 

Depois deste episódio, Ana teve uma grande recaída e contraíu o vírus da tuberculose, ficando muito doente. No entanto, ela nunca abandonou o seu tratamento, melhorando dia após dia, contando com o importante apoio dos seus filhos, que a ajudavam a  tomar a medicação. Hoje, é uma mulher saudável, está em tratamento desde 2007, e sente-se feliz com a sua saúde! Ana quer viver, quer estar presente para a sua família, para os seus filhos, e é por isso que ela nunca abandonou o seu tratamento!

Após fazer parte de uma palestra na Unidade Sanitária, dada pelas activistas da associação AIPDC, Ana ouviu falar sobre os grupos GAAC (Grupo de apoio  à adesão comunitária) e decidiu iniciar seu próprio grupo, com 6 pacientes, a maioria membros da sua família e vizinhos, para facilitar o contato e a comunicação entre eles. De acordo com Ana Paula, o  GAAC tem uma série de benefícios para os pacientes, como o deslocamento de apenas um membro do grupo ao hospital para levantamento dos medicamentos, uma vez por mês, a solidariedade e apoio psicossocial entre os pacientes do mesmo grupo e o facto deles poderem economizar o dinheiro do transporte bem como ter mais tempo para as suas actividades domésticas e profissionais.

Tomas Paulo tem 54 anos, seis filhos e vive na cidade de Vilanculos. A sua esposa estava grávida e fez o teste do HIV: o resultado foi positivo e os médicos aconselharam –no a  fazer o teste. O seu resultado foi igualmente também positivo e, por conseguinte, começou imediatamente a fazer o tratamento. De acordo com Tomas, com o tratamento ele sente-se saudável, capaz de realizar as suas actividades laborais, fazendo uma vida normal como qualquer outro membro da sua comunidade

Tomas é irmão da Ana, e foi ela quem o convidou ele e a  sua esposa para fazerem ambos parte do grupo: para ele os grupo GAAC têm facilitado muito a vida dos pacientes HIV positivos, uma vez que entre as vantagens está o facto dos pacientes não precisarem de se dirigir todos os meses à Unidade Sanitária para levantar a medicação. Assim, Tomás não precisa de perder tanto tempo para ter acesso aos medicamentos, não tendo que faltar ao seu trabalho.

Adelina Inguane tem 52 anos, tem quatro filhos e duas filhas e vive também na cidade de Vilanculos. Ela costumava ouvir as campanhas dos activistas da Associação AIPDC sobre O HIV, sensibilizando os membros da comunidade a fazerem os testes para saberem o seu estado. Adelina decidiu seguir os conselhos das activistas e fazer o teste do HIV, dando positivo. De acordo com Adelina, descobrir que era HIV positiva não foi difícil, pelo contrário, encarou o facto com normalidade e tranquilidade, partilhando imediatamente o seu estado com a sua família e iniciou o seu tratamento.
Para Adelina o mais importante era fazer o tratamento para que a sua saúde melhorasse e pudesse desta forma voltar ás suas actividades do dia-a-dia, com normalidade. Aconselhou o seu marido a fazer o teste e hoje ele está como ela a fazer o tratamento, mantendo segundo ela, uma vida sexual saudável, usando sempre o preservativo.
Adelina decidiu juntar-se aos grupo GAAC, após um convite feito pelo Tomás, seu vizinho, e segundo ela, com os grupos GAAC facilitam muito a vida dos pacientes: o apoio e o fácil acesso aos medicamentos são as mais valias destes grupos.


A retenção dos pacientes em tratamento anti-retroviral (ART) é uma das maiores prioridades do CCS como um parceiro do Ministério da Saúde a apoiar a implementação do programa de HIV. Como tal, uma das estratégias de CCS é o envolvimento comunitário, trabalhando diretamente com Organizações Comunitárias de Base, recebendo o apoio dos activistas que são muito influente na comunidade. Através das palestras, aconselhamento e sensibilização da comunidade para fazer o teste, para estar em tratamento, fazendo visitas domiciliares, as OCBs estão a fazer um elo importante entre o hospital e a comunidade no que diz respeito à retenção.

O CCS dá formação aos profissionais de saúde, e aos activistas das OCBs em relação à criação de grupos GAAC. Neste sentido, as OCBs e os serviços de saúde  incentivam a comunidade a iniciar os grupos GAAC, para melhorar o acesso e retenção de pacientes em TARV, para reduzir os encargos das instalações de saúde, para promover a participação activa e controle de doentes em TARV na obtenção da medicação,  aderindo ao tratamento, para garantir o apoio psicossocial dos pacientes no mesmo grupo e para a reforçar a ligação entre as unidades sanitárias e das comunidades.
Para finalizar, é importante destacar o trabalho OCBs, apoiadas pelo CCS, financiado pelo governo dos EUA por meio do Plano de Emergência do Presidente para o Alívio do HIV (PEPFAR) e pelo Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Neste sentido, o CCS está a aumentar o apoio à adesão dos paciente aos cuidados e tratamento do HIV, garantindo que muitos pacientes possam ser testados, inscritos e que continuem em tratamento, salvando as suas próprias vidas e mais importante, tendo a oportunidade de ter uma vida normal e saudável, trabalhando e sustentando as suas famílias como muitos outros moçambicanos.