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A Associação Utomi é uma organização comunitária de base composta por pacientes com HIV sediada em Inhambane que tem como objectivo dar apoio ás crianças órfãs e vulneráveis bem como fazer visitas domiciliárias como forma de sensibilizar as pessoas a aderirem á testagem como e ao tratamento.


Os activistas da Utomi vivem nos bairros das comunidades em que actuam, para que desta forma não tenham que percorrer longas distâncias para realizarem o seu trabalho, facilitando desta forma as suas actividades. A sensibilização e o encaminhamento ás Unidades Sanitárias é crucial no apoio aos residentes da comunidade.
 
No entanto, de acordo com os activistas, ainda há muita gente que não aceita a doença, dificultando desta forma o seu trabalho: infelizmente só quando estão extremamente doentes e debilitados é que os pacientes aceitam deslocar-se até à Unidade Sanitária. Nesta fase, após a descoberta da doença, é muito importante o acompanhamento do activista, no sentido de explicar ao paciente a importância do tratamento, da possibilidade de se viver uma vida saudável e plena com a medicação. No decorrer dos primeiros dias, é o activista que acompanha, encaminhando-o ao médico e durante a 1º fase dos tratamentos, quando o paciente começa a fazer a medicação. É o activista que faz as visitas a casa dos pacientes, incentivando-os a continuar com o tratamento, durante os primeiros meses, até haver uma garantia da continuidade do mesmo por parte do paciente: quando finalmente o paciente aceita o seu estado e percebe que precisa da medicação para poder viver saudavelmente.

O cometimento e a compreensão destes activistas perante o HIV é muito forte, tendo em conta que os mesmos são igualmente HIV positivos, havendo desta forma um entendimento mais profundo, realizando desta forma o seu trabalho  com a comunidade com mais conhecimento de causa.

A Utomi trabalha na área de retenção dos pacientes através dos grupos GAAC e o chá positivo. Através dos grupos de apoio á adesão comunitários, os pacientes têm a vantagem de forma alternada apenas um membro do grupo dirigir-se à Unidade Sanitária, para o levantamento da medicação, evitando o gasto de transporte bem como as enchentes nos hospitais. Por outro lado, os GAAC são igualmente grupos de inter ajuda aos pacientes, na questão da toma da medicação, e no esclarecimento de questões relacionadas com o tratamento. Os Chás positivos funcionam igualmente da mesma forma, na medida em que actuam como grupos de apoio, esclarecimento de dúvidas dos pacientes com HIV.

Relativamente aos desafios enfrentados pelos activistas da Utomi na realização das suas actividades, muitos deles relacionam-se por exemplo com questões religiosas, devido á obrigação de se efectuar o Jejum. Quando se faz o tratamento, há uma necessidade de se fazer uma alimentação saudável, devido á medicação. No entanto, se o paciente faz o jejum, implica não se alimentar e por sua vez não consegue fazer a medicação, tendo em conta a sua fraqueza. Neste sentido, há uma necessidade de se abordar os líderes religiosos como forma de contornar esta situação, podendo os seus crentes continuar a sua medicação, importantíssima para a sua sobrevivência. Por outro lado, também enfrentam dificuldades em relação aos doentes acamados, uma vez que não possuem meios de transporte para que os mesmos possam chegar ás Unidades Sanitárias. Por fim, segundo os activistas, continua a ser muito complicado o levantamento da medicação, levando-se ainda muito tempo à espera, nas filas dos hospitais, para se aceder á medicação, originando um certo descontentamento e desconforto por parte dos pacientes.