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A associação Tsembeka Wassate que significa Mulher Confiante é liderada por mulheres fortes e activas, do distrito de Mabote, província de Inhambane.

Esta associação foi criada por um grupo de viúvas que pretendia trabalhar na área do HIV, em especial com órfãos do HIV. Como forma de dar sustentabilidade á associação, este grupo trabalha com actividades como a costura, o processamento da castanha, entre outros.

As activistas desta associação fazem visitas domiciliárias, aconselhando as pessoas a dirigirem-se ás Unidades Sanitárias para efectuarem o teste, realizam buscas activas aos pacientes com HIV que abandonam o tratamento, com o apoio das Unidades Sanitária, sensibilizando os pacientes sobre a importância da toma da medicação.

Como forma de reforçar o seu trabalho, e tendo em conta a importância dos líderes comunitários, aproveitam os encontros onde os mesmos estão presentes para passar a mensagem sobre a necessidade da testagem e a importância do tratamento, através de palestras e panfletos que vão distribuindo durante os encontros.
 
Segundo a activista Joanina Cossa, o trabalho das activistas é extremamente importante nas comunidades, uma vez que eles fazem um acompanhamento e contacto directo com com os membros da comunidade, criando uma ligação com os mesmos, facilitando desta forma o seu trabalho. Fazem igualmente o acompanhamento dos pacientes ás Unidades Sanitárias, quando apresentam sintomas de HIV, para que possam efectuar o teste.

No entanto, segundo Joanina, um dos desafios enfrentados pelos pacientes, é o tempo excessivo que se leva nas Unidades Sanitárias,  levando a que muitos desistam de levantar a medicação para efectuarem o seu tratamento. Como forma de minimizar estes constrangimentos, os activistas têm aconselhado os pacientes a formarem grupos GAAC, para que desta forma ao invés de se deslocarem todos os meses á Unidade Sanitária, possa deslocar-se apenas um membro por mês para efectuar o levantamento da medicação para todos, facilitando o trabalho das Unidades Sanitárias, e evitando desta forma grandes enchentes nas farmácias.

Segundo a activista, as pessoas têm aderido a estes grupos, porque vêm vantagens e facilidades na formação dos mesmos; por outro lado, os próprios técnicos de saúde, por incentivarem igualmente a formação dos grupos GAAC, conhecem os seus membros e tornam o processo de levantamento mais fácil e menos moroso.

 
(Joanina Cossa)
Joanina conhece vários casos de sucesso na comunidade vizinha: Lúcia, uma paciente extremamente doente, já estava acamada, sabendo de inicio que era HIV. No entanto, por se sentir discriminada, ela optava por se isolar e ficar em casa. Através das buscas activas, Joanina sensibilizou a paciente relativamente á necessidade de tomar a medicação, incentivando-a a dirigir-se á Unidade Sanitária para ter o devido acompanhamento. Com o apoio de Joanina, Lúcia deslocou-se á Unidade Sanitária para fazer a consulta e para o levantamento da medicação, e hoje, está saudável, faz a sua vida normal, as suas actividades diárias, entre elas a ida á machamba para poder fazer as suas refeições. Lúcia faz questão de agradecer sempre que pode à activista Joanina por ter salvo a sua vida, através do seu trabalho.

A activista Amélia José, tem 40 anos e é natural do distrito de Mabote e trabalha com a associação Tsembeka desde 2008.
 
Ela faz o acompanhamento dos pacientes com HIV, ajudando-os na toma da medicação, e encaminhando á Unidade Sanitária os pacientes que abandonam a medicação. Por outro lado, Amélia faz palestras, para sensibilizar as pessoas a fazer a testagem. Segundo a activista, antigamente havia uma taxa grande de abandono do tratamento, porque infelizmente as pessoas continuavam a não acreditar na doença, nem que fossem portadores da mesma. Preferiam ir aos curandeiros e fazer o tratamento tradicional, para tentar curar o mal estar que sentiam. Hoje em dia o cenário é diferente, muitas pessoas testemunham a morte de pessoas que resistiram dar seguimento ao tratamento. Amélia conhece exemplos concretos de pacientes que estiveram á beira da morte, por optarem por realizar o tratamento tradicional ao invés de fazerem o tratamento. Só quando percebem que o tratamento tradicional não estava a fazer efeito, é que se dirigem ás Unidades Sanitárias já em condições de saúde extremamente debilitadas. Por outro lado, percebem que após iniciarem com o tratamento, começam a melhorar, e finalmente acreditam na importância de fazerem a medicação.